quinta-feira, 2 de julho de 2026

Médium de gente

 



O conceito de mediunidade está ligado à sensibilidade para sentir, ouvir ou até ver espíritos. Confesso que fico entre admiração e incredulidade. E olhe que acho que até já senti "presenças" espirituais, ou imaginei ter sentido. Mas não, não consegui ouvi-las. 

Isso posto, é para falar que me peguei acreditando numa adaptação desse conceito. E como então seria a palavra para designar quem sente gente de verdade? É. Com esse dom eu nasci. Ou aprendi. O que é bem mais provável. E por mais útil que possa parecer essa aptidão, digo-vos que não tenho certeza se gosto de possuí-la. 

Sou médium de gente. Percebo a energia de olhares, gestos sutis, movimentações corporais, respirações. E nem vou falar do que leio em caso de escutas de falas, leitura de escritos ou toques. E isso nem é nada demais, já que os bichinhos que as vezes nos rodeiam, gatos, cães, pássaros, com um cérebro bem menor que o nosso, também o fazem.

Sentir pessoas é um poder que pode nos alertar, nos instruir, proteger, nos defender. Não precisamos de linguagem falada. Qum tem esse dom deve se colocar à serviço da paz e do amor no mundo. E não ceder à tentação da angústia com as verdades percebidas. Seria importante que psicólogos e educadores tivessem essa habilidade. Mas isso é coisa que não se escolhe.

E tem o lado complicado também, para usar uma palavra leve. Porque muitas e muitas vezes seria bem mais saudável para a minha alma simplesmente não ter tais "informações". O inocente, que desconhece energias, pensamentos e sentimentos ocultos, por vezes é bem mais feliz.

Trata-se enfim de guardar meus dons na minha maleta de mão e fazer uso consciente dessa sensibilidade. Posso ajudar pessoas, mas sem declarar isso, no entanto. O velho "onde houver ódio que eu levo o amor, onde houver ofenças que eu leve o perdão", do maior medium de gente de todos os tempos, São Francisco de Assis. Posso também me ajudar, vestir minha casca de beskar e atravessar silenciosamente, como deve ser. 

Também pode acontecer dessa percepção se equivocar, por vezes. Isso é possível. Como uma tv antiga quando não sintonizava direito. Então, não dá para confiar totalmente em todas essas impressões. Não é ciência, é uma percepção humana. E humanos não passam de poeira interestelar. É bobo quem se dá muita importância.

 E acredito que sentir energias pode também acontecer com um treino, uma busca por mais percepção. E para concluir essa reflexão digo que seria bom se os humanos buscassem mais ler pessoas do que espíritos. Se todos lêssemos pessoas haveria mais paz. E não existiriam guerras. E cada um com suas utopias. Fico com as minhas despretensiosamente, como quem se diverte com uma pequena bacia de pitangas. 

 

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Como é bom...


Como é bom não ser mais uma menina. Como é bom contemplar a vida com olhos maduros. Como é bom saber o que é, e, principalmente, o que não é obrigação minha. Como é bom saber dizer não. Como é bom saber dizer não sem ofender. Como é bom ser livre para ser, inclusive, só ou acompanhada. Como é bom amar-me. Como é bom saber do meu valor. Como é bom não importar-me com possíveis rejeições. Como é bom ser tranquila para deixar ir o que não me pertence. Como é bom não confundir saudades com solidão. Como é bom ter a maturidade correspondente à minha idade, porque hoje em dia isso já é muita coisa. Como é bom viver intensamente, pra não se arrepender de não ter vivido o suficiente. Como é bom confiar nos meus instintos e pressentimentos. Como é bom conversar com Deus e saber que essa força me basta. Como é bom pegar uma bicicleta, um carro ou um ônibus e ir pra bem longe. Assim como é maravilhosamente bom ficar em casa e cuidar do gato e do jardim. Como é bom poder ir dormir as 7 da noite e acordar as 5 da manhã. Como é bom poder escolher a hora de alimentar-me ou de fazer exercícios. Como é bom abandonar projetos que não fazem mais sentido, afinal, a vida inteira, segurei firme para fazer a coisa certa. Como é bom escolher minha família, minha rede de apoio. Como é bom ser tudo aquilo que eu sempre tive vontade de ser. Como é bom ser jornalista, escritora, blogueira, pintora, ciclista, remadora, videomaker, cozinheira, amiga, filha, nadadora. E como é bom não ser nada do que não gosto: futebolista, jogadora de qualquer espécie de bola ou de cartas, notívaga, babona, superficial. Como é bom viver e aprender a viver todos os dias.  

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Sobre o filme O Marinheiro das Montanhas de Karim Aïnouz


por Letícia Amaral 

Acabo de sair de uma segunda sessão de "O Marinheiro das Montanhas", em cartaz desde 21 de setembro último em todo o Brasil. Fui na estreia e precisei ir mais uma vez para contemplar  a luz de Karim. Meus olhos estão vermelhos de choro de emoção. 

No roteiro mais pessoal de toda a filmografia de Aïnouz, nos deparamos com uma história de amor: a dos pais do cineasta. E com o devir desse amor: Karim e sua obra cinematográfica. Uma mãe cearense e um pai argelino. Eles se encontram nos Estados Unidos. Só agora conhecemos Iracema, a cearense que viajou para o exterior para estudar algas marinhas, mas caiu na armadilha da paixão... E regressou ao Ceará com o fruto desse amor no ventre. Sozinha. O namorado não veio. Ele retorna à Argélia para lutar na guerra da independência. A dor de ser deixada é algo indizível. Mas ser deixada grávida, aí é preciso ser um herói para suportar. Fico imaginando a dor dessa mãe solteira, que esperou por seu amor argelino tantos anos. Recebeu cartas, cartões postais e fotografias, mas nunca, nunca, nunca uma visita, só promessas não cumpridas. Conhecemos ambos através de fotografias que entraram no roteiro de "Marinheiros".  Dor também para esse filho, que só conhece o pai por fotografias. E cresce com essa falta. Me envergonho de ter sofrido por tão menos que isso. Minhas desilusões são pó diante da história de Iracema e do pequeno Karim, nome próprio que em Kabyle quer dizer "generoso". 

E é de uma forma muito generosa mesmo, sutil, muito suave que Karim narra essa história em forma de carta: uma carta para sua mãe Iracema, escrita por ele enquanto visitava a Argélia pela primeira vez em sua vida, em 2019, antes da pandemia do corona vírus. Dona Iracema, então, não estava mais entre nós. Partiu no ano de 2015, deixando a semente de Argel no peito do cineasta. Não há tom de rancor na carta. Karim tem uma alma superior. Muito pelo contrário. Quando ele chega a Tagmut Azuz, na Cabília, região montanhosa e fria, vai ao encontro de possíveis parentes. E os olha profundamente nos olhos. Há uma sequencia belíssima de primeiríssimos primeiros planos de muitos Aïnouz: é preciso olhar esse outro nos olhos, e profundamente.

Quanta coragem deve ter sido necessária para revelar ao mundo esse drama familiar... Um drama que, por outro lado, forjou a ferro e a fogo a personalidade de um cineasta sensível que opta por transformar sua vida em belíssimos roteiros de cinema. Há coragem e alegria no lugar de dor. 


Com um filme só matei minha dupla curiosidade sobre a Argélia: por causa de Karïm Ainouz e de Albert Camus, meu escritor favorito. E foi maravilhoso contemplar Argel e Cabília na película da Super 8, que eu havia visto pela última vez nas aulas sobre cinema da faculdade de comunicação. É uma cor linda a de Argel, uma cor dourada de sol, como a que Albert Camus sempre descreve, revelada com a película da Super 8. "É vintage que fala", declara decidido minha dupla da primeira vez que fui ver o Marinheiro, o menino Samuel, estudioso de cinema tão curioso quanto eu.

A equipe do filme também fiquei sabendo que foi reduzidíssima, contando apenas com um motorista, um tradutor e o próprio Karim operando a super 8 na Argélia. Um diretor de fotografia foi na sequência ao país incumbido de trazer belas imagens, e trouxe mesmo. Juntando com imagens de arquivo da guerra da independência da Argélia, deu um caldo de respeito.

Outros detalhes que fazem os filmes do Karim serem amados por nós cearenses é que sempre há conexões com Fortaleza nas narrativas. E confesso que ver nossa Fortaleza bela na telona do cinema é sempre um momento reconfortante, feliz, de aconchego.

Sei que amanhã vou lembrar de mais coisas... E talvez volte aqui para escrever. Mas por hoje está bom. Fiquemos, nos próximos dias, com as reflexões do Marinheiro e a alegria da trilha sonora vibrante como só as pistas de dança que o cineasta definitivamente nos proporciona em todos os seus filmes: de "Smalltown boy" de Bronski Beat a "Sweet Harmony" de The Beloved, saímos da sala com vontade de dançar para celebrar a vida, mesmo que ela seja dolorosamente imperfeita.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Recadinho aos seguidores do Blog Inatual


Queridos leitores e amigos,

Aqui com minha xícara de café com leite de aveia nas mãos, gostaria de informar aos mais atentos a este blog, que as postagens diminuíram e alguns textos foram retirados deste espaço. 

A explicação é também uma boa notícia para vós e para mim mesma! Ando às voltas com a publicação do meu primeiro livro. Ele vai reunir os melhores textos, crônicas e fragmentos que pude selecionar. Então, se você sentiu falta de algum texto que você amou e ele não está mais aqui, já sabe: estarão melhorados e revisados no meu primeiro livro de literatura a ser lançado em breve! 

Conto com as leituras de vocês e com a presença de cada um por ocasião do lançamento que avisarei por aqui também. Quero poder abraçá-los e ouvir de vocês mais ideias para os futuros escritos e documentários em audiovisual. 

Obrigada pela audiência e pelo carinho. Vocês me motivaram a seguir em frente com este sonho! 

Nos vemos em breve. 

abraço fraterno, 

Letícia Amaral 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Um fim de semana em Belém do Pará


 

Acordou passada com o brilho daquele sol. Dourava a manhã inteira e pintava tudo com as cores dos peixes e dos açaís. Parecia a cidade mais bela do Brasil: Belém do Pará, e devia de ser. 

Manhã de luz, de café continental para ser bem leve. Leve pra andar na avenida Carlos Gomes até o Mercado Ver o Peso e voltar. Trazendo consigo cachaça de cupuaçu, esculturas de barro do Marajó, Muiraquitã e peixe com açaí na barriga. 

Agora estava tendo um "trabalhão". #só que não hahaha! Escolhia um lugar para almoçar o melhor peixe filhote com arroz de jambu. 

A vida é boa, pensava e sorria.



O peixe com açaí foi no box "Pororoca Açaí", no Mercado Ver o Peso, na parte aberta. Na parte fechada do Ver o Peso só se vende peixes frescos e mariscos. Foi atendida pela Nice com uma simpatia que só se vê num recanto chamado Brasil. Os nativos diziam em tom de torcida: vai, dá uma mordida no peixe! Iiiisssoooooo!!! Agora pega uma colherada do açaí! Vaaaiiii!!!!! E ela seguia o roteiro num êxtase de indigeneidade que estava em seu DNA, provavelmente. O licor de cupuaçu deixou o momento com tom de mágico. O mundo girava ao redor do rio Guamá, que soprava um vento úmido e cálido. A atmosfera do norte brasileiro tinha cheiro de água de rio, tinha som de riso solto e gosto de fruta com farinha d´água. Em nenhum lugar do mundo sentiria novamente que estava tão no lugar certo. Ali não precisava de muito dinheiro. 15 reais pagaram a conta, ou 2 dólares.

Letícia experimentando o açaí com peixe frito

 Voltou pro velho hotel no bairro Campina, vizinho à Cidade Velha caminhando. Cada quarteirão tinha tanta beleza e história que a caminhada parecia brisa leve... 

Com Nice no Pororoca Açaí

Em Belém não são apenas um par de prédios históricos. A cidade foi certamente forte gênese da cultura brasileira, forjada à base de pele índia e porcelanas do velho mundo. É nossa pequena Europa brasileira, com sobrados altos cobertos de azulejos do chão ao teto.



Queria provar os ingredientes locais. Foi aí que se descobriu caminhante pelas ruas do bairro Nazaré. Cruzou a Travessa Benjamim Constant e claro que lembrou de seu querido filósofo Walter Benjamim. Mais um pouco e alcançou a avenida Comandante Brás de Aguiar, com suas senhoras árvores, de uma majestade tão real, mas tão acolhedora. Eram dezenas de lojas, restaurantes, docerias e um par de gente sorridente pra valer. Moraria ali sim, e ainda acharia que estava no Rio de Janeiro! Sim, achava que Belém, com seus prédios de arquitetura moderna do bairro Nazaré, super parecida com o Rio de Janeiro. E tinham também os bosques. Toda a cidade fica debaixo de um grande bosque. O clima amazônico deixa tudo com um ar perfumado de verde e chuva. Siiimmmmm... A chuva chega em Belém todo final de tarde, nada tímida, Que saudade!!!

cachaças no Mercado Ver o Peso 

Num restaurante self-service no número 474 da avenida Brás de Aguiar, chamado San Tito, encheu o prato e depois a boca com um filé de peixe "dourada" acompanhado de purê de macaxeira e um camarão com abóbora que a fez rezar uma ave-maria bem devagar. Estava maravilhoso e custou 65 reais, uns 10 dólares. Preço ainda baixo se compararmos ao custo de alimentação em qualquer destino europeu ou mesmo do sul da América Latina. 
Como era tipo férias, deu vontade de um docinho. Jogou no google "melhores docerias de Belém" e encontrou duas possibilidades na mesma rua.  Apareceram a "Doçuras", no número 264, e a "Eti doceria", no número 232, da Brás de Aguiar. Entrou nas duas. Apaixonou-se pelos quindins da "Doçuras". Dois quindins e uma água mineral custaram 27 reais. Depois de tantas guloseimas, precisava voltar andando para o hotel Princesa Louçã. E assim o fez. Meu Deus, sua vida bem que seria bem feliz ali. 


Deslizava pela Brás de Aguiar meio deslumbrada com a riqueza das lojas granfinas, de tanto bom gosto... Linho, cores vibrantes, vestidos soltinhos e macacões de algodão estavam na moda. Também sapatarias chiques surgiam pelo caminho. No entanto era possível viver apenas com um par de sapatilhas e outro par de havaianas... O trecho lembrava a rua Farm de Amoedo, do Rio de Janeiro. Incrível essa semelhança. A temperatura média estava em 28 graus, mas com a chuva que já se anunciava num vento molhado, era impossível sentir calor. 

Súbito: não sabia como fora esquecer de o quanto era bom viajar em sua própria companhia. É uma tranquilidade fazer o que se quer sem opiniões. 

Pracinha em frente ao Teatro da Paz



No sábado de tarde se arrumou e saiu andando pela avenida presidente Vargas até a Estação das Docas. Era o que queria. Mas no meio do caminho, na esquina com a rua Ó de Almeida, ela amou esse nome estranho, começou a chover. Tomou um táxi. O motorista avançou 2 sinais vermelhos. Gelou. Meu Deus! E morrer ali? Mas a outra opção era ficar todinha molhada. Aguentaria firme. Chegou à linda Estação das Docas a tempo de fotografar e filmar um pouco daquela tempestade em pleno Norte brasileiro. De onde vinha a moça, Nordeste do Brasil, não tinha chuva desse jeito não, viu? Era mais um espetáculo: conhecer uma chuva daquela magnitude. O céu ficou num cinza chumbo e se misturou à cor do Rio Guamá. Uma lindeza. Isso sem falar que não passa logo não. Em Beléma chuva retumba e demora. Pediu um chopp e bebeu bem devagarinho. Queria que aquele show da natureza não terminasse nunca.



Seria muito cedo para aterrizar no Bar Palafita, na Cidade Velha? Possivelmente sim. Eram apenas umas 18 horas. Mas só saberia se fosse até lá. Considerava o Bar Palafita, na rua Siqueira Mendes, número 264, um lugar incrível, um clássico de Belém. Fica num casarão antigo com fachada em vermelho e mostarda. Os visitantes entram pelo casarão, mas este depois se estende por uns 50 a 70 metros até o Rio Guamá,  numa longa passarela de tábuas corridas sobre palafitas. 

Bar Palafita por trás, onde toca o rio Guamá


Era sem dúvida uma arquitetura impactante e a moça lembrou um pouco da boemia da Praia de Iracema, seu bairro natal, em Fortaleza, estado do Ceará. 
Ficou ali admirando aquele mundo de água, aquele rio que não se vê o outro lado e um vento fresco que parecia ter-lhe flechado bem no centro de seu chacra cardíaco. Valia a pena viver, pensava. Valia a pena ser uma sobrevivente. 


Estação das Docas na hora daquela chuva colossal

Não pôde deixar de recordar também uma noite de seus trinta e poucos anos, quando aproveitou uma festa no mesmo Bar Palafita ao som de muita guitarrada, brega e samba. 


fachada do Palafita Bar

Dessa vez, porém, a festa não tinha começado. Só começaria umas horas mais tarde. E a falta de companhia também falava alto. Fotografou o belíssimo casarão do Palafita Bar e o prédio ao lado, a "Casa das onze janelas", belo patrimônio de São Luís.
Acabou jantando o tal "Filhote", ao "molho provençal" no restaurante Tio Armênio, na Estação das Docas. Pagou apenas 50,00, menos de 9 dólares. O que lhe permitiu se entregar sem culpa à sobremesa de  chocolates recheados de doce de cupuaçu. Sim, estava no céu, mas não havia sido avisada.  Pensava: Viva Belém! 

Sua estadia chegava lentamente ao fim. Sonhava em conhecer a Ilha de Combu... Mas não foi por motivo de preguiça mesmo. 
Aceitou o convite de uma velha amiga, Alessandra, para o almoço do último dia da viagem na Casa das Onze Janelas, na Cidade Velha. Ambiente decorado com imagens típicas de Belém.  Entrada de caipirosca de Cupuaçu e pastelzinho de queijo de Belém, risadas, saudades antigas. E um prato principal bem gaiato com nome de "PF": Filhote com Arroz de Chicória e creme de cupuaçu de sobremesa por apenas 50 reais. 


Casa das Onze Janelas, restaurante 

Também não ia querer esquecer de mais alguns lugares especiais, o restaurante Avenida, onde pediu um vinho tinto e comeu no formato buffet, servindo-se umas dez vezes de pratos com a cara do Pará: molho de tacacá com camarão e peixe, principalmente. Neste, por conta do ambiente refinado, pagou uns 120 reais, uns 20 dólares muito bem pagos com direito até a sobremesa. O Restaurante Avenida tem muita tradição na cidade. Fica na Avenida Nossa Senhora de Nazaré, número 1086. Os garçons são senhores de idade que puxam a cadeira para você se sentar e sorriem largo.

Restaurante Avenida


Fez também  uma longa caminhada de umas 2 horas saindo do hotel Princesa Louçã, passando pela Cidade Velha inteira até passar pelo quartel da Marinha do Brasil, chegar ao Mangal das Garças e voltar pelas ruas de dentro até chegar ao seu bairro novamente. Isso foi na manhã de domingo. Amava cada passada naquelas calçadas de pedras.


Garças no Mangal das Garças


Mangal das Garças

E num dos dias chuvosos jantou no impressionante Roxy Bar, um clássico de Belém, com mais de 37 anos de história. O restaurante fica num galpão antigo de grossas paredes, foi fundado em 1984. Todo decorado com imagens de filmes clássicos do cinema. Claro que pediu o Filé Saddam Russein, um filé mais que suculento acompanhado de uma farofa de ovos bem fininha que só tem no Pará, arroz piamontese e batatas fritas. É o prato mais famoso do Roxy Bar, ao lado de entrada de Bolinhos de Carne recheados de queijo e outras delícias.  Esse restaurante é com certeza um dos melhores de Belém e um dos mais estilosos do Brasil . O Roxy Bar fica na rua Senador Lemos, número 231, bairro Umarizal. Todos os taxistas conhecem, e seu Pedro, que a levou, sabia exatamente onde era.


Acima: Roxy Bar por dentro. Abaixo: Prato Sadan Hussein 




Queria voltar muitas vezes. Deus é que saberia. Não conseguia mais tirar do pescoço o pingente de Muiraquitã, uma sapinho cheio de mitologia que dá sorte ao povo paraense, e agora, também a ela. Ninguém diria que não era uma índia local, até com um tiquinho de açaí sujando o dente da frente. Mas deixemos dessa prosa tão longa... Precisava correr porque a chuva se anunciava mais uma vez e tinha de pegar um vôo pra casa. Amém Belém. Um quadrinho com a virgem Nazaré ao lado da musa Marilyn Monroe, ícone do Roxy Bar,  não a deixará se esquecer que esse Brasil é feito de muitos Brasis multicoloridos. Há espaço e amor pra todos eles.









 
 

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Cometa Rebeca

 


Aquele 29 de julho estava pesado como os ares dos últimos tempos. O Brasil tinha apenas uma medalha de ouro nas sofridas Olimpíadas de 2021 até então...

Deus sabia que precisávamos de uma brisa leve...

Foi assim que por volta das dez da manhã uma menina de sorriso iluminado coloriu as nossas telinhas... Chegou como um passarinho, alegre e saltitante. Apresentou uma ginástica olímpica diferente, dessas que nunca se tinha visto... Rebeca Andrade, filha de Guarulhos, São Paulo, não parecia estar competindo. Não havia em seu rosto aquela expressão estressada das outras atletas. Claro que deve ter sido muito treino, muito trabalho. Mas não havia esse peso em sua resplandecente figura... Como se fosse dança, como se fosse fácil, a menina brasileira foi lá e voou, piruetou, sambou e sorriu... E fez todos os mortais necessários à nota enfadonha, todos os solos e aéreos estavam lá cobertos de azul, amarelo, verde e cor de jambo... Como se fosse um cometa, aquele momento passou pelo nosso céu em menos de 3 minutos... E nos deixou com a sensação de que a vida certamente vale a pena. A vida vale a pena até para as meninas que não nascem em berço de ouro. A vida vale a pena até para as meninas que lutam para sobreviver. E a vida vale totalmente a pena quando se decide que o impossível não existe. 

Só Rebeca e sua família devem saber tudo o que passaram para perseverar num esporte olímpico em pleno Brasil. Quando uma menina brasileira sobe ao pódium sabemos que vale muitíssimo mais do que quando uma americana ou uma alemã alcançam o mesmo lugar. No Brasil, fazer um pouco ou fazer o básico já é muito, porque sabemos, nada é facilitado pra quem nasceu na humildade. A lição que Rebeca Andrade nos deixou hoje é uma lição dessas que a gente só sente no peito, nos olhos, no coração... Ela levou a prata!* Foi justo... Só de estar ali já valeu cada respiração. Tive vontade de chorar de alegria e de glória por algum tempo. Quis ficar ali sorrindo e vibrando aquela energiapositiva tão verdadeira do sorriso da Rebeca Andrade.

A página hoje escrita por esta atleta brasileira é de uma preciosidade gigante. Acho que todas as vezes que eu sentir tristeza nessa vida irei fechar os olhos e tentar me lembrar do solo da Rebeca... Um solo importante e disputado, mas cheio de leveza, beleza, brasilidade, alegria, gratidão, fé, confiança, jovialidade, feminilidade, cheio de Rebeca. 

Vou ficar torcendo pra todas as meninas do Brasil terem a chance de assistir esse solo e sentirem a pulsação dessa alegria brasileira que a Rebeca nos apresentou... Vou ficar torcendo para que a força simbólica da vitória da Rebeca empodere as meninas negras e pobres do mundo inteiro. Viva Rebeca, viva o esporte que nos tira da zona de conforto, nos enche de saúde, vida, beleza. Obrigada, Rebeca Andrade!!!! 


*nos dias que se seguiram a atleta também ganhou uma medalha de ouro.



  

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Jericoacoara




Estrada já foi mais longa

De terra, de chão, de duna

Tem um deserto entre a cidade e a vila

Vila de Jericoacoara

De jipe, de carrinho baixo, de pau de arara

estrada de vento, de areia, de riso, de pula pula

não solta não 

Que mais tarde de tem lua balão

e pé de estrela por todo lado

peixe e polvo

forró e funk 

tem sono profudo e cochilo ligeiro

tem vontade de ficar pra sempre 

e enquanto não dá

torta de banana com café as quatro e meia 

pão quentinho na madrugada

vem comigo caminhando até a pedra furada

ou sobre o long board

reza uma ave maria em frente a igreja de pedra 

desce pela malhada

e se benze na beira do atlântico

lembra do beijo na boca da noite 

do abraço roubado

da noite não dormida 

da manhã bem vivida

pargo no molho de caju

caipirosca de cajá

volto já

pra te ver

pra ficar

debaixo do pé de estrela 

já já 


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Para Júlia, com amor ou Eterno enquanto dure

 por Isabel Teixeira, psicóloga cearense


Quando eu a conheci havia uma menina saltitante dentro de mim... Era soma, cor, luz, arrepio, oração!!! Era sim e quase nunca não!

Quando a encontrei não havia tempo, não havia queixas, nem medo! Tudo era expansão, explosão. Os corpos dançavam num ritmo leve, cadenciado, sentido...

O tempo correu numa pressa inexplicável, foram poucos dias, intensos dias, você parecia merecer entrar no meu mundo. Acontece que a pressa do tempo que nos uniu, teve a urgência de levar você sem dança, sem música, sem despedida, sem verso. Silêncio na sala, choro!!!

Ofereci os lenços, acolhi aquele dor que parecia querer matá-la. Pensei na menina saltitante, como estaria ela dentro daquela moça tão sofrida?

Pensei num balé afinado entre elas. Pensei no tempo correndo e levando quem precisava ir... Pensei na decepção que o cupido poderia estar sentindo.

Terminei a sessão numa oração silente pedindo ao Divino que a conforte, que ela entenda que a intensidade do que se vive, muitas vezes, é maior que o tempo em que se vive.

12 08 2020 
04 09 2020
08 10 2020
...

Obrigada @isabelteixeirapsi

gratidão
espírito muito iluminado
tão bom, nada levou
deixando tesouros
salto quântico gigante
uma certeza: grande é quem tem pra dar

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Vamos de live?

Live no instagram @leticiaamaralonline nesta quinta-feira, dia 02 de julho de 2020, às 19 horas. Vamos falar sobre jornalismo.Vejo vcs por lá!

quinta-feira, 12 de março de 2020

O poder da música: merci Dub Inc!




Quando você estiver triste, inseguro ou na dúvida, lembre, ao menos por um instante, do poder da música!
Escolha as suas preferidas. Descubra-as!!! Faça sua playlist! Uma vez descoberto o poder da música, você nunca mais será triste.Um dia desses tive um dia bem mais ou menos. Até que um set musical me fez acordar. É um salto quântico, um pulo no espaço. Apenas uma fração de segundo e tudo estará bem novamente. A música que me levou ao meu último salto quântico foi esta aqui... De uma turminha nascida no sudeste da França: Dub Inc! Merci!

https://www.youtube.com/watch?v=7v_e7xAvvDc

Letra em francês e tradução:

Maché bécif
Boushkour (discurso não identificado)
Cante sua versão, mas todo mundo tem a suaChante ta version mais chacun a la sienne
Não temos nada em comum, mas não digo problemasOn a rien en commun mais j'te dis pas de problèmes
Cada uma de suas convicções, cada uma de suas encenaçõesChacun ses convictions, chacun sa mise en scène
Boushkour Boushkour 
Mesma cor em nossas mãos, apesar da epidermeMême couleur dans nos mains malgré notre épiderme
As consoantes podem ser lidas se houver vogaisLes consonnes peuvent se lire s'il y a des voyelles
O futuro de nossas vidas é conjugado no pluralLe futur de nos vies se conjugue au pluriel
Boushkour (discurso não identificado)Boushkour (parole non identifées)
Mas sem resposta, apenas perguntasMais aucune réponse, que des questions
Nada combina comigo em todas as explicaçõesRien ne me conviens dans toutes les explications
O que está por vir não é minha direçãoCe qui s'annonce n'est pas ma direction
Mas se eu estiver errado, de onde virá a sanção?Mais si je me trompe, d'où viendra la sanction?
Quem pode acreditar impor um único olhar ao nosso idealQui peux croire nous imposer un seul regard sur notre idéal
Estamos apenas procurando um equilíbrio entre bom e ruimOn ne fait que rechercher un équilibre entre le bien et le mal
Boushkour (discurso não identificado)Boushkour (parole non identifées)
Quando a água é muito profunda fica na praiaQuand l'eau est trop profonde reste sur la rive
Afogado em um deserto, uma terra áridaNoyé dans un désert, une terre aride
E aconteça o que acontecer, você tem que encontrar o equilíbrioEt quoi qu'il arrive, il, faut trouver l'équilibre
Entre aceitar nossas correntes e ficar livreEntre accepter nos chaînes et rester libre
E, se necessário, avise outras pessoas sobre a derivaEt tant qu'il le faut, prévenir les autres de la dérive
Porque muitos de nós somos unânimesCar beaucoup d'entre nous sont unanimes
E enquanto for necessário, diremos em todas as nossas rimas,Et tant qu'il le faut, on le dira dans toutes nos rimes,
O mundo será o que imaginamosLe monde sera celui qu'on s'imagine
Boushkour (discurso não identificado)Boushkour (parole non identifées)
Quem está errado?Qui est dans le faux?
Não seiJe ne sais pas
Todo mundo tem suas próprias convicções, mas respeita as minhasChacun ses convictions, mais respecte la mienne
Ok!Ok!
Quem está errado?Qui est dans le faux?
Não seiJe ne sais pas
Ouro em nossas mãos, nossas diferenças nos ensinamL'or entre nos mains, nos différences nous l'enseignent
Boushkour (discurso não identificado)Boushkour (parole non identifées)
Fonte: Musixmatch
Compositores: Aurelien Zohou

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Resenha: Um dia de chuva em Nova York


Para ler ouvindo: 

Everything Happens To Me - Art Pepper



Estamos em pleno mês de dezembro natalino e "Um dia de chuva em Nova York" ainda está nos cinemas em todo o Brasil. Eu ainda gostaria de voltar à sala grande algumas vezes para vê-lo e revê-lo. Por mil e um motivos... Mas vamos a alguns...
A cada ano que passa espero pelo filme de Woody Allen. Para mim, é cinema de alta qualidade junto com melhor música (jazz, blues, soul) fotografia impecável e, como se não bastasse, um pouco (ou muito) de psicanálise a cada roteiro.
"Um dia de chuva em Nova York" me mostrou uma New York que pode ser aconchegante, como eu nunca havia achado antes. Um dos personagens principais, Gatsby (Timotheé Chalamet), um mocinho de alma sensível e ávido pela vida no modo "intenso", é um apaixonado por Nova York, e encontra uma oportunidade para apresentar a bela cidade à sua namorada, uma estudante de jornalismo, Ashleigh (Elle Fanning). A Nova York que vemos na telona dessa vez é uma cidade cheia de hotéis, pianos-bares e clubes de jazz antigos e com atmosfera intimista irresistível. Essa Nova York, oposta à Big Apple geralmente esquizofrênica me deu vontade de ir conhecer como nunca tive antes... O que vemos na telona é uma Nova York que só os locais devem conhecer bem. São lugares menos lotados que aquela imagem do centrão tão comuns nos filmes situados por lá...  Ah se deu vontade...
A trilha sonora repete uma seleção quase sagrada de jazz e blues típica dos filmes de Allen... E lá vou eu pro meu ritual pós-filme: correr pra casa e baixar toda a "soundtrack" da película nova de Allen. 
Sem falar que este roteiro equilibrou drama e humor na medida certa.. E digamos que eu assisti o filme no último sábado e estou até agora rindo da principal piada, que eu não vou contar porque não sou dessas...
Quanto ao pequeno drama, que é bem pequeno mesmo e nem dá tempo de chorar, fica por conta de um diálogo revelador e até  curativo, eu diria, entre Gatsby e sua mãe (Cherry Jones) , uma senhora elegante e sempre muito exigente. É exatamente o ponto de psicanálise da película, numa medida tão perfeita, tão despretensiosa, que irá captar até os mais afastados das linhas de Freud. Diferente dos primeiros filmes de Allen, nos quais as citações eram muito explícitas, quase em tom de esnobismo intelectual... Agora não, agora é diferente. O diretor americano aprendeu a diluir o  conteúdo psicanalítico de seus roteiros de uma forma sutil, como um suave sachê de chá de camomila...
Para os críticos e moralistas de plantão: repito o que sempre digo em relação à Woody Allen. O diretor já escreveu seu nome em letras douradas na história do cinema: seus filmes nos fazem bem na medida certa: um pouco de sonho, um pouco de romance e uma pitada daquela pimenta chamada vida real. Quanto às acusações em tribunais, para os mais chatos, informo, como jornalista que o velho Allen foi absolvido nos processos que respondia em dois estados diferentes dos EUA e não deve mais nada à justiça americana, caso seja isso que te afasta da obra dele.
Se eu pudesse mudar algo em "Um dia de chuva em Nova York", mudaria apenas a idade dos personagens, um pouco jovens demais... Mas, se não fossem tão jovens, não teriam feito as bobagens e intensidades que tanto me fizeram rir e sair do cinema nas nuvens, como a sétima arte, ao meu humilde ver, deve ser. obrigada Allen! Vida longa! Vou ver de novo!!!



  

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Meu olhar sobre o filme Coringa



"É impressão minha ou o mundo está mais doido?"
Esta é a primeira frase dita por Arthur Fleck, em "Coringa" (2019), do diretor Todd Phillips.  Uma frase colocada propositalmente no início do enredo que vai tratar do tema "loucura" com uma profundidade poucas vezes vista no cinema. E é só mesmo à luz da psicanálise que é possível fazer a leitura de Coringa
Pessoas nascem com problemas psiquiátricos ou são enlouquecidas por outras pessoas ou eventos? Digamos que o roteiro de Coringa opta pela segunda resposta.
Filho de uma mãe solteira (Frances Conroy) em precárias condições financeira e emocional, Arthur Fleck (intensamente e lindamente interpretado por Joaquin Phoenix, para mim ele leva o óscar de melhor ator em 2020) cresce com todos os "nãos" que a vida pode oferecer a um ser humano. Mais que dinheiro e conforto, a vida do personagem sempre careceu de afeto, apoio e equilíbrio familiar. E mais: não só lhe faltaram recursos indispensáveis, como lhe sobraram agressões e solidão. Mas na primeira infância, momento crucial para o desenvolvimento de um ser humano, ao mesmo tempo que são gravadas na consciência e na sub-consciência as impressões mais fortes que vão desenhar a alma de um indivíduo, ainda é limitado o espaço da memória consciente. Ou seja, muitas das agressões sofridas pelo pequeno Arthur até os 5 anos de idade, não ficaram gravadas na memória dele. Elas só vêm à tona mais tarde, de uma forma inesperada, e acabem reforçando a esquizofrenia e a quase psicopatia de Fleck. 
Uma pessoa a quem a vida negou tudo, não teme nem se comove por nada. Afinal, por que continuar sofrendo se esse foi o lugar comum de uma vida inteira? Se a vida me deu as costas, pensa o sujeito diferente, porque eu iria me comportar bem?
Não é simples a reflexão sobre "Coringa". É impossível justificar a agressividade do personagem, ao passo que também é claro que igualmente impossível é ignorar os escabrosos eventos que construíram uma personalidade neurótica. 
Apenas nos textos analíticos de cinema e psicanálise eu encontrei conforto para analisar "Coringa", um personagem capaz de cometer vários assassinatos e não deixar os expectadores furiosos. Muito pelo contrário. Torcemos (eu aposto que você também) para que "feliz", apelido cunhado pela mãe do mesmo, tenha êxito em cada uma das mortes do grupo de haters do metrô. O contexto do roteiro sempre mostra que há uma certa lógica do personagem na escolha de suas vítimas. É como se Fleck apenas tentasse se defender o tempo inteiro: da mãe que o castra desde o nascimento, dos colegas de trabalho que usam e abusam da prática do comportamento disrruptivo, dos haters que inavadem o metrô e a calçada praticando todo tipo neofacismo - do assédio moral à agressões físicas de fato. 
Coringa é um mergulho nas relações humanas doentias, na frieza de um mundo pautado pela individualidade e pela indiferença: problemas que atravessam a frágil alma humana e a neurotizam. 
E como o próprio Arthur escreve em seu diário: "O interessante de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como não tivesse".  Arthur foi enlouquecido e sofre as consequencias disso, assim como as pessoas e o mundo que o cerca. E na loucura que ele vivencia há espaço para o humor e a arte. É como uma bela canção de Frank Sinatra, "Thats Life", que vemos o personagem ensaiar uma dança nos corredores do sanatório, enquanto refletimos com Sinatra "Há pessoas que se sentem bem pisando as outras" e assistimos perflexos o enredo chegar ao fim. Coringa vai ficar ressoando em mim por muito tempo, numa digressão necessária aos porões do meu inconsciente e ao sótão do mundo pós-moderno: um mundo que sim, meu caro Arthur, está cada vez mais lotado, mais doido e egoísta...Você tinha razão naquele dia que fez essa pergunta à assistente social indiferente. 


Thats Life, by Frank Sinatra
https://www.youtube.com/watch?v=7niRS7Nh9c8
Na sequencia este texto estará gravado em formado podcast no soundcloud Culturecast by Letícia Amaral. 



   


   

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Sobre o filme "A vida invisível" de Karim Aïnouz





para ler ouvindo Come in, Kaina, da trilha original de "A Vida Invisível":
https://www.youtube.com/watch?v=J8GTS3uDr6A

Sexta-feira, dia 02 de setembro de 2019. Já passava das 22 horas na cerimônia de abertura do Festival Ibero Americano de Cinema, o Cine Ceará, quando a atriz brasileira Fernanda Montenegro adentrou ao palco do Cine São Luís, sendo ovacionada!  Emocionado e surpreso, o público recebeu Fernanda com palmas demoradas. A presença dela no evento, às vésperas de seu aniversário de 90 anos, não havia sido confirmada. Então, era aquele suspense... Sabíamos que Fernanda poderia aparecer no evento porque o filme que abriria o festival, "A Vida Invisível", do diretor cearense Karim Aïnouz, conta com sua participação. Mas não havia certeza...
Até que Fernanda Montenegro entrou pela lateral esquerda do palco que fica em frente à tela do Cine São Luís. Em seu discurso, optou por ler uma carta. Era uma carta cheia de afeto escrita pelo diretor Karim Aïnouz. E foi uma carta mesmo, e não um e-mail, conforme destacou Fernanda. As linhas de Karim falavam do roteiro de "A vida Invisível de Eurídice Gusmão", baseado no livro da escritora brasileira Martha Batalha, e no final, convidavam a atriz para interpretar a personagem"Eurídice Gusmão". Enquanto lia a carta, Fernanda Montenegro emocionou-se várias vezes. E eu, que estava na platéia, a poucos metros, deixei a emoção se transformar em lágrimas. Conheci Karim nos anos 90 como aluna de um de seus cursos livres na Casa Amarela e Dragão do Mar, e recordava o quanto o diretor é alguém doce e sensível, mas aquela carta não estava no script... Um texto rico em ternuras, poesia e amor. Amor pela vida, pelo cinema, pela literatura, pela militância feminista. 
O que viria a seguir seria ainda mais impactante: a exibição de "A vida invisível". 



O filme se passa no Rio de Janeiro dos anos 40. Eurídice Gusmão (Carol Duarte) e sua irmã, Guida (Júlia Stockler) , são filhas de uma dona de casa e de um português durão, seu Manoel, desses que dão ordens à esposa e filhos. As moças sofrem as conseqüências da vida em uma sociedade patriarcal. Um tempo em que as mulheres não tinham muitas escolhas. E até podiam ser obrigadas a casar com um homem escolhido, não por elas. Um tempo em que uma mulher divorciada não tinha mais valor. E se tivesse tido um filho da relação falida, pior ainda. As reflexões que Karim Aïnouz faz com "A Vida Invisível' são muitas e são profundas. Imagine uma mulher que sonhasse com uma carreira profissional. Isso era quase um sonho irrealizável.
O drama é de verdade em "A vida invisível". Porém, problemas para trás, o filme traz algo que continua forte e igual entre nós, humanos: a força do amor. Um amor que é demonstrado pelo laço entre Eurídice e sua irmã: profundo, e que não muda nem com o tempo ou distância. 
Karim nos fala de vidas que passam pela vida vivendo muito pouco: trancafiadas pelas regras criadas pelos outros. O aclamado "A Vida Invisível" ganhou primeiro a mostra "Um certo olhar", em Cannes (2019), e depois seguiu arrebatando a crítica e o público nos mais diversos festivais do mundo, partindo do Cine Ceará de Fortaleza. Sendo a indicação ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, o motivo que o levou aos trending topics dos sites de busca no segundo semestre de 2019. Viva o cinema brasileiro! Viva Karim!

p.s.: Karim Aïnouz nasceu em Fortaleza, em 1966. O diretor de cinema e roteirista já dirigiu mais de 20 filmes de longa metragem. Com destaque para "Madame Satã", seu primeiro longa, tendo lançado o ator Lázaro Ramos. E depois, "O céu de Sueli" e "Praia do Futuro", os preferidos desta que vos fala. Além do último prêmio em Cannes, Aïnouz já foi condecorado em grandes festivais como Berlim, Havana e Rio de Janeiro. 


  

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Eu já amava podcast antes da modinha! por Letícia Amaral


Quem ama escrever raramente escolhe o suporte. Não importa se é papel, tela de computador, site, blog, livro, texto para vídeo, rádio ou podcast. Os textos simplesmente pulululam na cabeça e daí tem que virar realidade...
Quem ama escrever geralmente começa em diários e cadernos, e não foi diferente comigo... Até papel de pão servia para não deixar a inspiração fugir... Mas ultimamente confesso que me apaixonei pelo formato podcast.
Conhecer podcast eu já conhecia desde 2015, quando um amigo me mostrou algumas músicas dele na plataforma "soundcloud", aí vi que era usada também para podcasts... Mas ficou nisso, não me apaixonei exatamente pelo formato naquela época. 
Até que veio 2019. 
2019!
Um ano meio tenebroso para mim.
Uma consulta médica, uns exames, outros exames mais detalhados, e no dia 26 de fevereiro entrei numa sala de cirurgia para uma operação na região pélvica, com anestesia geral e tudo o mais. Cinco horas de cirurgia. Mais um dia de UTI. Dessas coisinhas na vida que ninguém quer passar. Deu tudo certo, mas depois, vinham alguns bons dias de cama, o tal pós-operatório. Foi nessa época, um período de quase três meses, que descobri algo: quando uma pessoa está muito enferma, pode não ter forças nem para segurar um livro. E isto era novidade para mim. Sim, um simples livro pode pesar pouco, mas ainda é pesado para um abdômen operado. Suspirei profundamente e não segurei o choro. Eu queria ler e não podia. Aqueles que haviam sido meus grandes companheiros da minha infância até ali, os livros, não podiam fazer nada por mim. E as pessoas? E os amigos? As pessoas estão muito ocupadas lutando também pelas vidas delas. Me restava pular da cama para a rede, e da rede para a cama... Até que um post de rede social me levou para um canal especial no mesmo "soundcloud" que eu conhecera anos atrás. Era o canal de um escritor brasileiro que admiro muito, o Diego Engenho Novo. E ele havia gravado justamente as crônicas que eu tanto admirava, entre elas "Casamento, modo de usar" e "Amor antigo". Mal acreditei. Coloquei os fones de ouvido e me entreguei à literatura lida de Diego. Uma a uma, as crônicas dele foram me fazendo rir, gargalhar, chorar de emoção, rir de novo, relaxar, viajar no tempo... Fiquei um dia inteiro ouvindo e ouvindo de novo aqueles podcasts. Meu estado mental mudou. Enxuguei o choro e aproveitei cada linha na voz do próprio autor, com um fundo musical instrumental de muito bom gosto. Dali em diante eu não estava mais só. É impressionante como a voz humana tem o poder de acalmar outros humanos. Deixo aqui o meu muito obrigada ao Diego Engenho Novo, com votos de que ele um dia seja reconhecido no mínimo com um Prêmio Jabuti. Obrigada por ter escrito e obrigada por ter gravado e postado no soundcloud. Me salvou!
Ouvia as crônicas, procurava outros autores, outros podcasts. E é claro, como escritora compulsiva, decidi logo: também quero gravar alguns podcasts. Se eu puder fazer companhia para alguém com histórias bacanas, crônicas e ensaios, farei...
E foi o que fiz. 
Ao recuperar a saúde, tratei de pesquisar como faria para escolher os textos, gravar e fazer o upload dos podcasts. 
Já gravei sobre filosofia ("Conversa com Benjamin sobre o tédio"),  principalmente filosofia de vida, sobre cinema, sobre cinema e filosofia junto ("Sobre a película Julieta") e até uma meditação guiada ("Para dizer Adeus ao Stress") na plataforma Soundcloud.
Hoje em dia, eu não sei se gosto mais de ouvir podcasts ou de gravá-los.  Tenho feito muito as duas coisas. 
Para a minha surpresa, no final de 2019, a Globonews lançou sua plataforma de podcast. E isso fez de 2019 o ano do boom do podcast no Brasil.  
Foi aí que vi que realmente escolhi a profissão certa. O jornalismo bate em mim como uma onda de energia... Eu simplesmente senti no ar a nova onda do podcast, e comigo foi tudo muito orgânico. Ouvi, amei, pesquisei sobre o assunto e passei a produzir num espaço de menos de um semestre. 
Continuo apaixonada pelas imagens, sempre! Nunca deixarei de ser uma realizadora audiovisual enquanto eu viver. Eu sou completamente conquistada pelo cinema, a sétima arte. 
Mas sempre terá aquele dia em que o assunto vai render mesmo um bom podcast! E assim eu deixo o jornalismo me levar... Uma hora em textos de blog, outro momento num documentário sobre a "conchinchina", na sequencia, num vídeo de 1 ou 2 minutos... E agora em podcasts com trilha sonora e tudo o mais.  Encontro vocês numa dessas plataformas, se Deus quiser, me der saúde e tudo der certo! Obrigada! Abraços!

Me encontre no soundcloud: 
https://soundcloud.com/leticiaamaral




segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Little Manual to love Fortaleza

Little Manual to love Fortaleza 
(Pequeno Manual para Amar Fortaleza)




por Letícia Amaral
leticiaamaralonline@gmail.com


*text with English and Portuguese versions below
**text and photographs made by Letícia Amaral

One of my favorite hobbies is to map the city where I was born: Fortaleza. Before to know anywhere else in the world I am proud to have known my city first. Fortaleza is charming because it is bog, it's kind of matte, it's a beach girl, like me. Then one day I thought: If I could indicate a tourist program in Fortaleza, it would include corners that only a good place in love as I know. I will start listing them from today. On the day I turn 50, I publish a book, which can be virtual, no problem! Let's go to the points!



Um dos meus hobbies preferidos é mapear a cidade onde eu nasci: Fortaleza. Antes de conhecer qualquer outro lugar no mundo eu me orgulho de ter conhecido minha cidade primeiro, como pouca gente.  Fortaleza é encantadora porque é brejeira, é meio matuta, é meio "tilanga", é uma garota de praia, como eu. Aí um dia desses pensei: se eu pudesse indicar uma programação turística em Fortaleza, incluiria cantinhos que só um bom local apaixonado como eu conhece. Vou começar a lista-los a partir de hoje. No dia que completar 50, publico um livro, que pode ser virtual, no problem! Vamos aos points!

1-    Mucuripe Cove / Enseada do Mucuripe



I start with my favorite. For me, no landscape in the world will ever surpass the beauty of Mucuripe Cove. I find it absolutely amazing that image of rafts anchored in the sea, a few meters from the coast. It is possible to swim up to them, climb up and soak up the sun. Sometimes I paddle too, stand up paddle. Mucuripe Cove is beautiful at dawn, when fishermen seal off the freshly caught fish that just came from the sea on the sandy beach. I also like this piece at sunset time, or even to wait for the full moon to rise. There is often a soccer game by the sea ... Then we get silly: watching that nature party mixed with soccer.

Começo pelo meu preferido. Para mim, nenhuma paisagem do mundo jamais irá superar a beleza da enseada do Mucuripe. Acho absolutamente incrível aquela imagem das jangadinhas ancoradas no mar, a pouquíssimos metros da costa. É possível nadar até elas,  subir e ficar tomando um solzinho. As vezes vou remando também, de stand up paddle. A enseada do Mucuripe é linda na hora do amanhecer, quando os pescadores vedem o peixe bem fresquinho, que acabou de chegar do mar, em plena areia da praia. Também gosto deste pedaço na hora do pôr do sol, ou ainda, para esperar a lua cheia nascer. Muitas vezes há jogo de futebol à beira-mar... Aí a gente fica bobo: vendo aquela festa da natureza misturada com futebol.

2 - Seaside Reefs / Recifes da beira-mar 




This point here only a good place! Try to come for a walk at low tide. Walk carefully over the reefs that stretch along the seafront. It looks like Jericoacoara beach, but it's Fortaleza itself. It is too beautiful. If you go up ahead you will find little pools that form between the cavities of the rocks. It has every size: small, medium and large ... Have you ever seen a hot tub? Because these are natural. OK my love? What about the Caribbean? Caribbean for what? If it's a sunny day, the water of these natural pools is still warm. You dive in and forget the time.


Because of the more difficult access between rocks and sand, the place is sometimes a little deserted. So this is a program to be done by at least two people: one takes care of the other. And no jewelry, cell phones or purses around. There is a possibility of careless in the middle of paradise. Just be careful. Just like we have anywhere else in the world: Italy or Buenos Aires. No problem, please. :-)))

Este ponto aqui só um bom local conhece. Experimente vir dar um passeio na hora da maré baixa. Caminhe com cuidado sobre os recifes que se espraiam pela orla marítima. Parece Jericoacoara, mas é Fortaleza mesmo. É belo demais. Se você for até lá na frente irá encontrar piscininhas que se formam entre as cavidades das pedras. Tem de todo tamanho: pequena, média e grande... Você já viu um ofuror? Pois estes são naturais. Tá meu bem? E o Caribe? Caribe pra quê? Se for um dia de sol, a água dessas piscininhas naturais ainda está quentinha. Você mergulha e esquece do tempo. 
Por causa do acesso mais difícil entre pedras e areia, o local as vezes fica um pouco deserto. Por isso este é um programa para ser feito por pelo menos duas pessoas: um toma conta do outro. E nada de jóias, celulares ou bolsas por perto. Há possibilidade de descuidistas em pleno paraíso. É só ter cuidado. Assim como temos em qualquer outro lugar turístico do mundo: como Itália ou Buenos Aires. Sem paranóia, please. :-)))

3 - SUP - Stand Up Paddle in the Mucuripe's cove / SUP na enseada do Mucuripe

If you wake up with that willingness to enjoy the sea and do a very good physical activity, a great option is in Mucuripe Cove, at the end of the seafront avenue.

How about trying to row on a board 3 meters long and half a meter wide? Stand Up Paddle was born in Hawaii and today is worldwide. The first time I saw it I was amazed: I thought the person was walking on the water... Only moments later I realized that the rower was on a board. I will never forget this scene.

At the seaside there are several guardhouses, points that guard and rent these boards. The average price is 30.00 (thirty reais) ($ 10) for one hour of equipment rental (board + paddle + life jacket).


One of the oldest guardias is Kong. It is roots. And there are always photographers on duty, just in case you want to order that picture of you paddling. I like to row anytime. It can be in the morning or late afternoon, preferably at low tide ... And nuuuuuuunca in the month of August, otherwise the strong wind takes you away. And nuuuunncaaa in January, otherwise the sea surf will take you away... Rowing until I get to the boats from inside. Once I went to the front of Moinho M. Dias Branco. You have to have an arm and you can't go accompanied by those who have no pike. SUP is for those who have cardio-respiratory preparation, strong arms and legs. Who rows to go, has to row to go back, ok?


Se você acordar com aquela disposição para curtir o mar e fazer uma atividade física bem gostosa, uma baita opção está na enseada do Mucuripe, no final da avenida beira mar.
Que tal tentar remar em cima de uma prancha de 3 metros de comprimento e meio metro de largura? O Stand Up Paddle nasceu no Havaí e hoje está no mundo inteiro. A primeira vez que vi pasmei: achava que a pessoa estava andando sobre as águas... Só momentos depois percebi que o remador estava sobre uma prancha. Nunca vou esquecer essa cena.

Na beira mar há várias guarderias, pontos que guardam e alugam essas pranchas. O preço médio é de 30,00 (trinta reais) (10 dólares ) por uma hora de aluguel do equipamento (prancha+ remo+ colete salva vidas).   

Uma das guarderias mais antigas é a Kong. É roots. E tem sempre fotógrafos de plantão, para o caso de você querer encomendar aquela foto sua remando. Gosto de remar a qualquer hora. Pode ser de manhã ou no final da tarde, de preferência com maré baixa... E nuuuuuuunca no mês de agosto, senão o vento forte te leva pra longe. E nuuuunncaaa em janeiro, senão a ressaca do mar te leva embora... Remo até chegar aos barquinhos lá de dentro... Uma vez fui até a frente do Moinho M. Dias Branco... Tem que ter braço e não pode ir acompanhado de quem não tem pique. SUP é pra quem tem preparação cardio-respiratória, braços e pernas fortes. Quem rema pra ir, tem que remar pra voltar, ok?


4 - Coconut Water at Barraca do Louro, Praia do Futuro /
     Água de Côco na Barraca do Louro, Praia do Futuro

Forget all the other "party girl's" beach tents. Who is "roots" of Fortaleza is going to Barraca do Louro, because there is everything just: a tent. Louro does not give conversation to those he does not know well, is all suspicious. Umbrellas do not have safes. We keep the objects with Louro. The food is simple. Louro's fried fish is one of the best in Fortaleza. And the coconut water, which is not cheap... But it's in the bay. And that's where I go without having to make up all over.

Esqueça todas as outras barracas dos plays. Quem é roots de Fortaleza vai mesmo é pra Barraca do Louro, porque lá é tudo apenas: uma barraca. O Louro não dá conversa pra quem ele não conhece direito, é todo desconfiado. Os guarda-sóis não tem guarda-objetos. A gente guarda os objetos é com o Louro mesmo. A comida é simples. O peixe frito do Louro é dos melhores de Fortaleza. E a água de côco, que não é barata... Mas é no Louro. E é pra lá que eu vou sem precisar me maquiar todinha.

5 - Peixe Frito na Barraca Marambaia, Praia do Futuro
    (também pode ser nas barracas: Cuca Legal, Saturnino, América do Sol e Terra do Sol) 




Há alguns milhões de anos, há um peixe frito de 35,00 na Barraca Marambaia. Eu fico me perguntando o que eles ganham. É sério. O peixe tem uns 700 gramas, vem com salada, batata frita e baião de dois... E os caras cobram apenas 29 reais. É sério. E é uma delícia. E tem piscininha infantil por 5 reais. E dá pra bater altas fotos por lá. Eu amo essa barraca. Mas ela é simples demais. É roots demais.

6 - Pôr do sol no Titanzinho, Serviluz


Os surfistas de Fortaleza dizem que esse é o melhor pico de ondas da capital. Eu não sei porque não sou surfista. Apanhei do mar todas as vezes que me atrevi. Mas quem surfa diz que esse é o pico! E deve ser: porque é cheio de surfistas todos os dias, o dia todo. Aqui tem muito localismo. Vá com respeito. Jamais, sob hipótese alguma, surfe a onda de um local, caso ele esteja melhor posicionado que você. E se você não é surfista melhor ainda. Fique como eu: olhando aquele mar lindo, com o céu avermelhado quando o sol se põe. Vá a pé ou de bicicleta. Este é, pra mim, um dos lugares mais mágicos de Fortaleza. Se der fome, peça um pão quentinho que sai a todo momento de uma padariazinha de frente para o mar. Manteiga não tem. Mas tem café preto pra acompanhar. Cenas do filme "Praia do Futuro", do Karim Aïnouz, foram gravadas aqui, mais especificamente na "Praia do Portão", que, nada mais é, que a curva ao lado esquerdo da praia do Titanzinho. Esse local é muito local!

6.1 - Praia do Portão 

Procurando um bom pico de surf em Fortaleza? Pois é só chegar na Praia do Portão, que ganhou esse nome porque fica vizinha a um portão da Marinha do Brasil, no bairro do Serviluz, em Fortaleza. Os surfistas dizem que aqui estão as melhores ondas. Só é bom tomar cuidado com as pedras. O pôr do sol daqui também é perfeito. 

7 -   Cinema e museus do Dragão com Café no Santa Clara

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é nosso mini-complexo cultural. Dá pra passar  dia todo entre os museus, cinemas, planetário e Café. Quando cansar, atravesse a rua e vá molhar os pés no mar ao lado da ponte velha da Praia de Iracema. 

8 - Passeio pela Ponte Velha



Na ponte velha só vão os locais. Infelizmente. Porque ela é linda... E dá pra dar um salto e cair no mar. Depois, de você for bom de nado, é só dar uma braçadas até o velho navio encalhado Mara Hope... E admirar um navio em ruínas que virou point de atletas do nado. Eu amo. A ponte fica vizinha à comunidades pobres, portanto não precisa portar objetos de valor nesta região. É só ter sensibilidade. 

9 - Mergulho no mar em frente ao Ideal Clube

Ainda para os que gostam de nadar em mar aberto, Fortaleza tem vários points perfeitos com maré calma. É assim em frente ao Ideal Clube. Com o auxílio de um flutuador, experimente nadar até o fim do espigão e voltar. É renovador. Quando estou em forma dou até 6 voltas. E o exercício do dia fica pago! Valeu? Valeu demais.

10 - Cinema São Luís

Não é porque é na minha cidade não. Eu juro! Mas desafio alguém a me mostrar no mundo todo uma sala de cinema mais bela que a do Cine São Luís. A construção do prédio em estilo clássico teve início em 1939. Tendo sido inaugurado em 1958. O Cine Teatro São Luís foi construído pelo grupo Sereriano Ribeiro, com projeto de Humberto da Justa Menescal e decoração de teto e paredes por Osório Pereira e Marcelino Budini. 
O belo cinema tem capacidade para 1.050 pessoas. Na entrada seu imponente hall tem escadarias e piso de mármore Carrara e lustres chiquérrimos de cristal que foram importados da Tchecoslováquia. Para mim: vi todos os filmes dos trapalhões lá, e, hoje em dia, acompanho, geralmente como jornalista, as edições anuais de um dos mais tradicionais festivais de cinema do Brasil: o Cine Ceará, sempre realizado na sala de exibição do Cine São Luís. Sou grata demais por ter praticamente crescido dentro desse cinema.




11 - Pastel Leão do Sul




Antes da sessão de cinema no Cine Teatro São Luís, ou depois, ou depois de uma sessão de compras pelo centro de Fortaleza, a pedida mais show é comer um belo de um pastel de carne com azeitona do tradicionalíssimo "Leão do Sul". É a cara da minha mãe: pastel com caldo de cana. Uma marmota linda e deliciosa que só tem aqui em Fortaleza. Amo e indico.

Pastel Leão do Sul endereço:
Rua Pedro Borges, 193

12 - Praça dos Leões e Museu do Ceará



Já que estamos no centro, vamos dar uma passadinha na praça dos Leões, para relaxar à sombra de jacarandás, araucárias e palmeiras: num legítimo jardim inglês, também chamado de romântico. Aproveitemos para prosear com a bela escritora Rachel de Queiroz, cuja estátua de bronze repousa sob a sombra do bosque da Praça. O Museu do Ceará fica por trás e vale a visita, que, por sinal, é de graça. 

13 - Pizzaria Gabrielle 



Se for de noite e você estiver voltando centro com aquela fominha, no caminho tem a Praia de Iracema. No bairro que é praticamente um pólo gastronômico posso indicar muita coisa. Mas tenho especial apreço por esta pequena e antiga pizzaria que pertence ao simpático italiano Gabrielle. Ele vai de mesa em mesa querendo saber se está tudo bem, se você deseja mais algo, s a pizza estava boa. E estava! Nunca comi uma pizza mal feita no Gabrielle. Tem gosto de tradição. E de Itália. E eu amo as duas coisas.

Pizzaria Itália da Grabriele
Av Historiador Raimundo Girão, 36 , Praia de Iracema 

14 - Sorveteria Juarez


De certo sabemos que é bom evitar os doces. Mas quem consegue? Se for para escolher uma bola gelada vou de Juarez. É o sorvete mais caseiro da cidade, sem aditivos químicos e antigo que só meus avós. Já é possível saborear o sorvete do Juarez em vários locais de Fortaleza. Mas eu, antiga que só eu, prefiro o lugar de número 1: na avenida Barão de Studart quase em frente ao prédio da Federação das Indústrias. Meus preferidos? O de sapoti, o de jaca, o de doce de leite e o de cupuaçu. Os italianos e os argentinos que me perdoem, mas não troco uma bola de sorvete do Juarez por nenhum outro gelato do mundo.

15 - Banho de Mar na Praia do Futuro 


O melhor banho de mar de Fortaleza é, com certeza, na Praia do Futuro. Isso porque é nesta região da capital que o mar é mais limpo. O mar também costuma ser bem agitado e forte nesta região. Portanto: cuidado! Se você tiver a sorte de pegar uma maré baixa é só se deliciar com a piscinas mornas de água natural do mar!

16 - Rodízio de carnes do Gueller


Tá verto que estamos em terra de litoral e a pedida mais comum é o peixe. Mas se bater aquele desejo por carne, aqui você vai encontrar um rodízio de carnes com um preço justo. O restaurante também tem um buffet muito farto com muitas opções de saladas e pratos típicos do Ceará como o baião de 2. 

Restaurante Gueller
Endereço:
Av . Monsenhor Tabosa, 608, Praia de Iracema 

Ainda para churrasco recomendamos o Santa Grelha e o Cabana Del Primo, mas nestes o preço é maior. 

17 - Mercado dos Peixes do Mucuripe 



Conheço poucas cidades no mundo com um Mercado de Peixes à beira-mar com direito à livre escolha do seu peixe e opções de quiosques para mandar preparar. Você pode escolher um belo pargo, ou uma guaiuba, cioba, ariacó e um quilo bem pesado de camarão e pedir para fazer num dos quiosques do Mercado dos Peixes do Mucuripe. Aí você também pode pedir uma porção de batata frita ou de arroz para acompanhar. E a conta? Você vai se impressionar com o baixo valor da conta! Dica: vá no pôr do sol!

18 - Parque do Cocó

É uma das poucas áreas verdes de Fortaleza, com direito à 3 trilhas diferentes por dentro do parque. Bom para caminhar e respirar aquele arzinho de floresta. Dá para fazer as 3 trilhas em apenas uma hora. Vá de tênis e leve sua garrafinha de água. Aos domingos o parque fica cheio de famílias que fazem pique-niques animados!


19 - Praça de Alimentação da Cidade 2000

A Cidade 2000 é um bairro super residencial de Fortaleza. Fica no meio do caminho para a Praia do Futuro. É um lugar bem para locais... Mas se você aprecia comida de rua: aqui é o lugar! Tem pratinho de comida típica, acarajé, pastel, hambúrguer, yakissoba, sushi e tudo o que sua imaginação conseguir pensar. Com um detalhe: tudo bem baratinho. Boa dica para um domingo de tarde. Você não conseguirá gastar mais de 20 reais por pessoa. 

20 - Livraria Cultura 
Se você ama livros, não pode ir embora de Fortaleza sem conhecer a Livraria Cultura! Por fora o prédio tem uma arquitetura belíssima: com fachada moderna e arredondada numa das esquinas mais chiques de Fortaleza: avenida Dom Luís, com Av. Senador Virgílio Távora. Vá com tempo para se perder entre as estantes, escolher alguns livros e lê-los à vontade no café da própria livraria. Será um momento inesquecível. 
Endereço:
Galeria Varanda Mall - Av. Dom Luís, 1010 - loja 8 - Aldeota




21 - Café Benévolo



Os cafés não são exatamente uma tradição em Fortaleza. Mas há poucos anos eles começaram a se multiplicar. E agora já temos muitas opções além dos bares. Este aqui é bem simpático e moderno, com preços razoáveis. Peça um café do jeito que você mais gosta e um crepe. O meu preferido é o de queijo, mas existem muitas opções. Convide um bom amigo e pode perder a hora entre um café e outro!

Rua Ana Bilhar, 1083, Meireles




22 - Café Viriato 

E por falar em café, este é um de nossos melhores e mais refinados cafés em Fortaleza: com ambiente aconchegante e muitas opções de cafés, chás e bolos, você vai se sentir num agradável café de Paris, com o diferencial de não ter o cheiro de cigarro dos cafés de Paris. O Viriato é ponto de encontro meu e de minhas amigas há um tempão. Costumo pedir um Chá Vermelho Intenso como entrada ou como saída, para quando a conversa estica. No meio da conversa vou de Café Mocha com um pedaço de bolo Luís Felipe (bolo mole com muitos ovos na receita, típico do Ceará) ou uma tapioca de carne de sol!!! É muita delícia!!!




23 - Praça Luiza Távora 



A Praça Luiza Távora é a praça da família de Fortaleza. Tem muito espaço pra meninada andar de patins, velocípede ou de bicicleta. Fica no coração da Aldeota, entre as avenidas Santos Dumont e Costa Barros. Na frente há um romântico vagão de trem que já foi uma biblioteca. É um lugar sempre cheio de atrações infantis promovidas pelas secretarias de cultura. Também há um centro de venda de artesanato cearense no meio da praça. Não falta pipoca e lanchinhos na própria praça e ao redor. 

24 - Estádio Presidente Vargas


Esse é o nosso Estadiozinho de Açúcar: O PV! É aqui que o Fortaleza joga quando é o dono do jogo. Bem menor que o estádio Castelão, o PV é aquela pérola no coração do bairro Benfica, bairro mais intelectual de Fortaleza, porque também abriga a Universidade Federal do Ceará. O PV tem cheiro de futebol com churrasquinho e pipoca. Fica rodeado de um conjunto de casas antigas, que ainda são maioria pelo bairro. Vá num dia de jogo do campeonato cearense: você vai amar esse passeio!!!




25 - Sorveteria 50 Sabores 


Vamos falar de alto padrão em sorvetes? Pois então vamos! Este é o nosso sorvete mais gostoso e tradicional de Fortaleza. No meu coração vem depois da Sorveteria do Juarez, mas em seguida vem a Sorveteria 50 Sabores. O dono foi muito empreendedor, mas não viveu muito para ver seu império de sorvete em Fortaleza. A missão ficou com dona Neusa, a viúva, que transformou a 50 Sabores numa sorveteria de nível internacional. São mais de 50 sabores mesmo. Meus preferidos são "Ferrero Rocher" e "Sapoti". Numa tradição linda, os visitantes podem pedir provinhas de sorvetes antes de decidirem qual vão pedir... E os atendentes estão sempre sorrindo. Palmas para a "50 Sabores", sem dúvida uma das sorveterias melhores do mundo. 

26 - Jardins da Reitoria da UFC

A Universidade Federal do Ceará é pública e gratuita, e está sempre aberta a todos! Conhecer o casarão que abriga a reitoria da UFC, no coração do bairro Benfica, pode ser um programa legal para o fim de tarde, quando as aves da região dão uma festa ao voltarem para dormir em suas árvores no quarteirão da reitoria. Fica na avenida 13 de maio esquina com avenida da universidade. 


27 - Torrinha do Centro de Humanidades 2 da UFC


A Torrinha do Centro de Humanidades da UFC entra nesta lista por mero motivo afetivo desta que vos fala. Este é um espaço que sempre foi dos estudantes da UFC, e sempre foi uma área de livre expressão artística e cultural. Minha dica e entrar na Torrinha num dia de festa de calourada ou subir por sua escada caracol até o topo para ver o pôr do sol. 

28 - Teatro José de Alencar 


Quando visito uma cidade tenho que conhecer seu principal teatro. Um teatro é a alma de uma cidade. E em Fortaleza não é diferente. O Teatro José de Alencar é uma das pérolas da capital alencarina. 
Inaugurado em junho de 1910, o TJA tem vários espaços cênicos e já foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Além do palco principal com 800 lugares na platéia, o José de Alencar tem um espaço cênico na entrada, uma praça que pode servir de recepção ou de palco, um foyer para concertos pequenos e um teatro anexo, o Morro do Ouro. Há visitas guiadas e espetáculos de baixo custo quase todos os dias. 

Rua Liberato Barroso, 525, Centro de Fortaleza. Fone: 31012583. Site: theatrojosedealencar.secult.ce.gov.br

29 - Cinema Pátio Dom Luís 

Se você for um apaixonado por cinema e quiser conhecer um cinema pequeno e mimoso, este é o cinema! A sala de exibição é pequena e aconchegante e o som é uma potência. Gosto muito quando meus filmes preferidos são exibidos aqui.

30 -  Rodízio de Pizzas Pizaiolo

Quer comer pizza até dizer chega? Pois um de nossos points mais tradicionais de rodízio de pizzas em Fortaleza é este aqui: o Pizzaiolo, na avenida Júlio Abreu (finalzinho da Dom Luís). O preço é sempre convidativo. E não é porque se trata de um restaurante estilo "rodízio" que a qualidade não é boa. A pizza do Pizzaiolo tem muuuuiittoooo recheio. Minhas preferidas são super bobinhas: portuguesa e de chocolate! Bom apetite!

Endereço: 
Av. Júlio Abreu, 167 

31 - Sessão de Fotos na Estátua de Iracema (antiga)




Fortaleza tem uma coleção de estátuas de Iracema, a "virgem dos lábios de mel", do escritor cearense José de Alencar. Mas a estátua número 1 é a que fica no Mucuripe. Foi inaugurada em junho de 1965. A obra é de um artista plástico pernambucano: José Corbiniano Lins, que venceu o concurso para realizar a construção da estátua, que, na verdade, são 3 em 1: trata-se de Iracema esperando seu amado, Martim Soares Moreno, além de um cachorro.  Vir à Fortaleza e não tirar uma foto pertinho de nossa Iracema mais tradicional é um verdadeiro pecado.
Endereço:
Av. Beira Mar, 1140, Meireles. 

32 - Passeio no Trenzinho na Beira Mar



Esse trenzinho é praticamente um patrimônio histórico e cultural de Fortaleza. É o passeio mais característico da criançada de Fortaleza e seus pais. O barato fica por conta dos personagens infantis e super-heróis que desfilam entre um vagão e outro. Além disso, os mesmos personagens dão um verdadeiro show de performance e "parkour" que faz crianças e adultos rirem muito. Eu não sou mais criança, mas, de vez em quando, dou uma voltinha nesse trenzinho! Só para não esquecer o quanto a vida pode ser alegre e colorida. 

Endereço para o embarque:
A. Beira Mar, 3127, Meireles.

33 - Estação de Trem João Felipe

Pouco a pouco os trens vão desaparecendo pelo Brasil. No lugar deles entram os metrôs. Mas em Fortaleza, a antiga estação de Trem João Felipe permanece de pé, e é bonita que só ela, tendo sido construída em 1873.
A estação serve de parada de número 1 para a atual linha 1 do metrô de Fortaleza, que liga o Centro à Maracanaú, cidade da região metropolitana de Fortaleza, num percusso de 54 quilômetros. Se não for em horário de rush, dá um passeio bem interessante, cortando a cidade pelo lado oeste. O valor da passagem inteira custa R$ 3,40 (aproximadamente 1 dólar). 

Endereço: Rua Senador Jaguaribe, Moura Brasil. 

34 - Padaria Ideal 



Quando eu era pequena, ia à padaria Ideal quase todos os dias com o meu pai, seu Erasmo Amaral. Naquela época, a Padaria Ideal ainda tinha portas de enrolar. Hoje é uma padaria toda "alinhada", como diria minha mãe, com ar-condicionado e um buffet de café da manhã de encher os olhos. Como fica numa região de hoteis 4 ou 5 estrelas da capital, não é das padarias mais baratas. Mas é boa pedida pra quem gosta de qualidade. Eu gosto do simples: misto quente e café com leite e o papai gosta do bolo de pudim. Super recomendo.

Endereço:
Av. Abolição, 1920  

35 - Farmácia Oswaldo Cruz



Espero que você não precise de uma farmácia, nem eu. Mas caso você necessite, há uma super antiga num prédio de bela arquitetura no Centro de Fortaleza: é a Farmácia Oswaldo Cruz. 
Ela entra nesta listinha só por causa do bom gosto estético da fachada mesmo, afinal, infelizmente, farmácia é o que não falta em Fortaleza. 

Endereço:
Rua Major Facundo, 576, Centro. 36 - Igreja do Pequeno Grande




Existem vários motivos para a Igreja do Pequeno Grande estar na minha listinha dos lugares mais especiais de Fortaleza, além de ela ser simplesmente belíssima. Em primeiro lugar,  eu praticamente me criei dentro desta capela. Ela fica anexa ao Colégio da Imaculada Conceição, uma escola vincentina onde estudei por toda a minha infância. De modo que, quase todos os dias, eu fazia pausas ou momentos de silêncio lá dentro dessa igreja. Foi lá que fiz minha primeira comunhão também. E como se fosse pouco, descobri, depois de adulta, que o prédio desta linda igreja foi desenhado e projetado pelo meu tataravô Isaac Amaral.
Acho que vale a visita, pois trata-se de uma edificação centenária em estilo neogótico, que começou a ser construída em 1896. Há missas diariamente às 18 horas. 

Endereço: Av. Santos Dumont, 55, Centro de Fortaleza. 




37 - Lojas de secos e molhados ao redor da Igreja da Sé



Toda grande cidade tem uma catedral, e em Fortaleza, não é diferente. Mas o grande barato de nossa Igreja Catedral é seu entorno. Nesta região podemos encontrar de tudo na categoria "secos e molhados": rolo de fumo e frutas, material de pesca e de natação, produtos em couro típicos do sertão como celas e arreios, ervas para chás, garrafadas "milagrosas" (para curar todo tipo de enfermidade), roupas e muito mais. Amo passear por esse local.   


38 - Mercado Central



Sinceramente? Vi poucos mercados de artesanato no mundo mais completos do que este de Fortaleza. No Mercado Central é possível encontrar roupas, calçados, artigos de cama, mesa e banho e muitas comidas típicas. O mais interessante é o nível deste tipo de artesanato, com a delicadeza e a sofisticação de artes ancestrais. Só aqui no Ceará é possível encontrar produtos têxteis feitos com linhas e pontos cheios de tradição como rendas, bordados, labirintos e renascença. Entre os quitutes típicos do sertão estão manteigas da terra, castanhas de caju in natura e "gourmetizadas" com açúcar ou até chocolate. Separe uma tarde ou uma manhã inteira para se perder e se encontrar nos três andares desse grande Mercado! 

Endereço:
Av. Alberto Nepomuceno, 199, Centro. 





39 - Avenida (de compras) Monsenhor Tabosa




40 - Restaurante La France




41 - Restaurante Hong Kong 






42 - Barraca Chico do Caranguejo


43 - Shopping Iguatemi






44 - Praça Portugal


45 - Passeio de Escuna




46 - Papelaria Edésio


47 - Shopping Center Um






48 - Pracinha das Flores 






49 - Balu





50 - Bibi






51 - Lojas de roupas (chiques) da Avenida Dom Luís




52 - Centro Fashion 




53 - Calçadão da Praia de Iracema com patins de aluguel




54 - Bar e lanchonete Bicho Papão (in memorian) 







55 - Bar e Restaurante Cantinho Acadêmico